sábado, 14 de setembro de 2013

Jorge Mendes - O maior empresário do futebol mundial

No Brasil para receber uma homenagem da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, que comemorou 102 anos, o empresário Jorge Mendes, que possui uma carteira de jogadores avaliada em mais de R$ 1,5 bilhão, entre eles Cristiano Ronaldo e o técnico José Mourinho, falou com exclusividade ao Extra à beira da praia, em Ipanema.
 
O futebol está alheio à crise financeira mundial?
 
Esta crise que está instalada na nossa sociedade também está no futebol. Existem só alguns clubes com grande capacidade. Mas desde 2002 são quatro ou cinco que investem bastante. Na maior parte dos casos, a dificuldade é a mesma que vocês têm aqui no Brasil.
 
Como ter maior equilíbrio?
 
Os clubes encontraram mecanismos de financiamento que têm gerado polêmica. Real Madrid e Barcelona têm todos os anos orçamentos de € 400, 500 milhões, e não precisam. Mas clubes sem essa capacidade têm que encontrar mecanismos para serem competitivos. Caso contrário, não terão capacidade para contratar jogadores de ponta. Tem bancos e grandes empresas com direitos sobre os atletas, o que é uma situação normal. E para os clubes é importante. Aqui no Brasil, são muitos jogadores com parte do banco, de empresa, são formas de financiamento para serem mais competitivos. A diferença entre um clube de topo e um que quer se aproximar, sem esses mecanismos, é grande.
 
Este ano, o mercado brasileiro voltou a exportar muito depois de repatriar jogadores...
 
Vai ser sempre um pouco assim. O Brasil é o país que forma mais jogadores com qualidade. É uma situação inevitável, aparece todo dia um jogador. É um caso único. Em nenhum outro país, há tantos jogadores no mercado exterior como o Brasil. Alguns vão estar em destaque. E a possibilidade de ir para fora vai ser sempre grande.
 
A Copa de 2014 não poderia mudar isso?
 
Essa tendência vai continuar. O futebol brasileiro promove e cria condições pelo talento natural dos jogadores. Vão aparecer todos os anos jogadores e a tendência vai se manter. A tendência neste momento no Brasil, ao contrário de anos atrás, em termos de salários, aumentou muito. Mas o Brasil não tem tradição de comprar jogadores do exterior por valores altos. Os clubes brasileiros do topo também vão chegar em um momento e sempre vender seus jogadores.
 
É possível pensar em clubes de massa como Flamengo e Corinthians como clubes mundiais, como Barcelona e Real Madri?
 
A esse nível é muito difícil. Esses clubes são únicos nessa grandeza. Em termos financeiros, estão num patamar superior, junto a outros como o Manchester City, PSG, Chelsea, que apareceram abaixo, mas poderosos no Mercado.
 
Vamos lá, qual o seu papel nesse cenário? O empresário entra aonde?
 
Hoje não tenho tempo de fazer o que fazia no passado, de descobrir jogadores. Mas por vezes podemos encontrar na segunda divisão, até terceira, jogadores com talento para jogar em alto nível. É uma questão de oportunidade. Se encontrar o treinador certo, um agente certo, alguém que possa dar oportunidade, porque você tem muitos jogadores. O Cristiano Ronaldo, com 18 anos, todos os clubes queriam. Os sete clubes mais importantes. Mas só houve um, o Manchester United, através do treinador Alex Fergusson, que disse que ele não ficaria fazendo experiência em outro clube, e que faria no mínimo 50% dos jogos.

Como o empresário deve convencer o jogador disso?

O que mais conta no jogador é a cabeça. Melhor ter menos qualidade e mais cabeça do que muita qualidade e pouca cabeça. Cada caso é um caso. O mais importante para um atleta é o treinador, independentemente do clube. Se tiver três ou quatro times, com um jogador sendo pretendido, como o Cristiano, quero ouvir que querem contar com ele já, pois isso é importante para o jogador. Se com 18 anos tiver a oportunidade de mostrar suas qualidades para estar num patamar superior, é importante, pois com 20 anos será diferente, do que se ficar emprestado para times com menos qualidade. Futebol tem a ver com qualidade, treinador, encontrar as pessoas certas, estrutura, sorte também. Isso determina o que o jogador vai mostrar ao longo dos anos.
 
E no caso do Brasil, em que os jovens não se firmam em times em formação?
 
O mesmo atleta, imaginando um clube normal, pode ser reserva nesse clube e se tiver oportunidade num grande clube ser titular. É subjetivo. Tem que encontrar o caminho. No futebol, tudo muda em cinco minutos, um jogo, uma bola na trave. O jogador também vive isso, tem uma oportunidade, marca um gol, é titular, ou vai ficar o ano como reserva. O mais importante é se o treinador está convicto que o atleta vai servir. É o mais importante.
 
Aí que você entra?
 
Eu dou minha opinião, nunca vou fazer pressão. É uma responsabilidade. A decisão é do jogador. Evidente que é melhor ir para um lugar com espaço. No fundo é sempre uma decisão pessoal. Se ele disser que com pouco espaço quer que acredite nele, que vai se dedicar, quer tentar…
 
Como reage com os rumores de que os empresários favorecem os técnicos que tem como clientes?
 
Independente de estar um treinador meu num clube, o mais importante é conseguir encontrar o lugar certo para o jogador. A relação para mim não tem influência nenhuma, porque eu conquistei meu espaço e tenho boa relação com todos os clubes. Vivi situações dessas com o Felipão. Eu tinha 30 jogadores internacionais em Portugal. Os que estavam convocados e os que estavam fora. A maior parte dos jogadores que estão em Portugal, quase todos saíram comigo para outros países na Europa. Normal estar habituado a esse tipo de rumor.

Falando em Portugal, o Cristiano não enfrentou o Brasil...

Se tivesse jogado não teríamos perdido...(risos).
 
Acha que o Neymar está no mesmo nível dele?
 
De maneira alguma Neymar está no nível do Cristiano Ronaldo. Opinião sincera. Respeito Neymar, é a grande figura do futebol brasileiro. Mas tem que respeitar um jogador que nos últimos quatro anos tem média de um gol por jogo no Real Madri. O Barcelona é o melhor time do mundo de todos os tempos. A base da seleção espanhola. Os jogadores tem mais oportunidades de fazer gols. O Cristiano joga num time que é um com ele e outro sem ele. O papel dele é ingrato.
 
Então é melhor que Messi?
 
Melhor e mais completo.
 
Falcão Garcia vai para o Real Madrid em janeiro?
 
Falcão está satisfeito no Mônaco, mas sempre há interessados.
 
Chegou a ver a nova revelação brasileira, o Vitinho?
 
O pouco que vi achei o jogador muito talentoso.
 
O Brasil vai continuar perdendo talentos?
 
Tem muita gente que vem de fora, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Portugal, um mundo dentro do outro mundo vendo jogadores no Brasil, buscando talentos. Vai continuar a ser assim. Há jogadores com 17, 18 anos transferidos, que tem oportunidades. Alguns deles jogariam em clubes normais e não teriam destaque. Aqui não tem 70 clubes grandes. Abrir essa possibilidade para jogadores brasileiros acaba sendo bom. Tem tanta gente, uma população enorme, e para os jogadores é ótimo encontrar o caminho fora.

Como vingar na Europa? O que eles procuram?
 
Na Europa, quem não trabalha não joga. Tem que conciliar qualidade com a agressividade para recuperar a bola, trabalhar para a equipe. Muitos olheiros quando vem ao Brasil querem ver o jogador que trabalha, com talento.
 
O que acha do Brasil?
 
Adoro o país. É como uma segunda casa para mim.
 
Virá para a Copa?
 
Sim. Brasil é um dos favoritos. Espero Portugal na final (risos).
 
Porque você tem fama de ser o maior agente do mundo afinal?

Minha preocupação é sempre a mesma: Conseguir o melhor para meus jogadores, manter boa relação com os clubes, me preocupo em ser honesto, ser um pai, irmão mais velho, estou imbuído sempre desses espirito. Minha mulher é fundamental no meu dia a dia, para me dar estabilidade para conciliar parte profissional e pessoal. Ela diz que não tenho que andar todo dia ao telefone, mas faz parte de mim, vou morrer assim, estou ao telefone meia noite, não entendem porque trabalho tantas horas.

 
Que empresários vê fazendo um bom trabalho no Brasil?
 
Por exemplo, Carlos Leite é um dos empresários importantes no Brasil e tento manter com ele boa relação, fizemos muitas coisas no inicio, fico contente com o sucesso dele. Também o Paulo Tonietto, conheci quando vim buscar no Juventude o Thiago Silva. Quanto mais amigos tiver, mais pessoas cruzando minha vida, é bom sinal.
 
Você jogou futebol, né? O que mais fez?

Dos 21 aos 30. No primeiro ano no Vienense, mas dois ou três meses depois de ter chegado peguei empréstimo ao meu irmão de 5 mil euros para abrir um videoclube, fui o primeiro a zona norte de Portugal a legalizar esse negocio dos vídeos, era cassete, vhs, foi um sucesso. Jogava futebol e tentava conciliar. Treinava a noite para trabalhar. Alugava e fazia 200 km por dia para trocar DVDs com outros.
 

Você aprecia cinema?
 
Sim. Mas não tenho tempo. Vejo no avião. Gosto de Sean Pen, De Niro, Denzel Washington. Via quatro filmes por dia. Sou apaixonado por cinema. Aconselhava os clientes. Sempre me dediquei com paixão.
 
E cinema brasileiro, teve contato?
 
Agora não porque o futebol ocupa minha vida. Ja vi Tropa de Elite. Duas vezes. Muito bom. Vi com Cristiano. Ele gostou. Esse filme é espetacular. O um é melhor. O Wagner Moura é impressionante. Não vi mais por falta de tempo.
 
Gosta mais de filme de ação?
 
Sim, gostava de dramas, comédias, mas ação era mais…depende do estado de espirito.

Crédito: Diogo Dantas - Jornal Extra

quinta-feira, 7 de março de 2013

BATE BOLA - Revista Placar entrevista Dorival Júnior


Foto: Alexandre Loureiro

RP: Se 2012 foi um ano para esquecer, 2013 já começou com uma classificação antecipada para a semifinal da Taça Guanabara. O que mudou?
DJ: É uma sequência de trabalho. O Joel [Santana] começou a remontar a equipe e nós pegamos esse trabalho em andamento. Quando cheguei, percebi que havia muitos jogadores com características semelhantes brigando por posições. Até conseguir montar um time que mudasse esse perfil levou um tempo. Na entrada de 2013 tivemos a vinda de jogadores importantes, já com esse novo perfil. Conseguimos dar mais velocidade à equipe. O aproveitamento da base deixada do ano anterior foi um fato importante. Não quer dizer que estamos com a equipe definida. Muito pelo contrário, sabemos que ainda passaremos por um ponto de oscilação até que alcancemos uma maturidade na nossa equipe. Por isso é que eu falo ao torcedor que não se iluda: este é um trabalho lento, moroso.

RP: O que achou da inversão do calendário, em que clubes que não estão na Libertadores têm poucos torneios no primeiro semestre e muitos no segundo?
DJ: Enquanto não adaptarmos nosso calendário ao europeu, teremos dificuldades. Este é o momento de pararmos para conversar sobre o futebol com a participação de treinadores e diretores. As coisas não devem ser decididas aleatoriamente. Está na hora de uma integração mais clara e direta de todos. Temos que nos unir para recuperar a posição de melhores do mundo. O futebol brasileiro está caminhando para uma situação muito complicada.

RP: Você não vê mais o Brasil entre os melhores do mundo?
DJ: É só nós olharmos o ranking da Fifa, que não é tão confiável, mas espelha o que nós vemos no nosso futebol, o que estamos vivendo no momento. O aparecimento de grandes jogadores era comum, agora estamos tendo grande dificuldade.

RP: Por quê?
DJ: O problema é que nós nunca fomos grandes formadores. Usamos a base para ganhar campeonatos. O vôlei nos deu um exemplo muito claro nesse sentido, quando começou a atentar para fundamento, nos últimos 15 anos, e virou uma equipe quase imbatível. O vôlei nos mostrou que o caminho é este: trabalhar a base. No futebol não, tem-se a ideia de que os jogadores brotam. Hoje a Europa é que faz o que o Brasil fazia, procura jogar com bola dominada, trocas de passes constantes. Aqui, os jogadores erram muito mais passes do que acertam. Isso é deficiência de formação, lá de trás.

RP: O que fazer para mudar essa situação?
DJ: Primeiro, nos abrirmos um pouco mais, nos aproximarmos também. A imprensa brasileira infelizmente nos últimos anos criou a cultura da crítica, nada presta, nada serve. Não se dá conta de que devia ter uma participação direta nesse resgate. Mudar o perfil e a postura, conviver mais diariamente com as diretorias, atletas e comissão. E os treinadores contribuíram sobremaneira para isso, porque hoje os treinadores fazem um trabalho de aluguel. Mas as contestações são acima do normal.

RP: No Flamengo, você tem uma geração que vem se impondo. Como lidar com projetos de estrelas como Rafinha?
DJ: Nosso trabalho sempre foi pautado em buscar novos valores dentro do clube, o que eu faço desde o figueirense. Tem que ter muito cuidado.

RP: Por que você decidiu que deveria ficar na Gávea?
DJ: Porque eu sinto que alguma coisa eu posso deixar dentro do flamengo. Eu vim porque tinha uma ambição gostosa de poder chegar a um clube como o Flamengo. E eu me preparei. Não é num momento desses que eu vou me voltar para qualquer situaçãozinha que aconteça, não vou deixar que no primeiro obstáculo um sonho que eu tinha se transforme em apenas uma passagem.

Crédito: Flávia Ribeiro - Revista Placar


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Time do Sonda

Quem é Delcir Sonda, o dono da DIS, empresa que investe nos craques Neymar e Ganso e em outros 70 jogadores de futebol.

Imagem: FOTOMONTAGEM
A sede do Sonda Supermercados, na região da avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de um acordo milionário celebrado na manhã da quinta-feira 20. Na mesa de negociações, no entanto, não estava nenhum assunto ligado aos negócios do varejista, uma rede gaúcha de 24 lojas e faturamento na ordem de R$ 2 bilhões. A pauta, na verdade, era a transferência do jogador de futebol paraense Paulo Henrique Lima, mais conhecido como Ganso, do Santos para o São Paulo. À frente do negócio, no valor de R$ 23,8 milhões, considerado a mais cara transação da história, entre clubes brasileiros, estava o dono do grupo, Delcir Sonda.

Desde que criou a DIS, um fundo de investimentos em jogadores de futebol, esse tipo de transação tem ocupado boa parte do dia a dia do empresário. Torcedor fanático do Internacional de Porto Alegre, Sonda resolveu investir no esporte em meados de 2007. “Foi uma forma que ele encontrou de participar do mundo do futebol’’, diz o apresentador e comentarista esportivo Milton Neves, da Rede Bandeirantes e amigo de Sonda. De acordo com Milton Neves, apenas uma paixão é maior do que o esporte em sua na vida: seus nove cachorros da raça maltês. A atuação como investidor esportivo mudou até sua rotina de trabalho no grupo varejista. “Ele contratou um executivo para presidir a empresa para poder se dedicar mais à DIS.”

A DIS possui participação nos direitos de 70 jogadores. Entre eles, Neymar e Ganso, considerados as duas maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos. Polêmico, Sonda já entrou em atrito com vários clubes por causa de seu estilo agressivo de negociação. O caso de Ganso é emblemático. A transferência do jogador do Santos para o São Paulo foi praticamente uma novela, com duração de cerca de um mês. O clube do litoral paulista tentou de todas as formas evitar a negociação, cheia de reviravoltas. “Eles sempre vinham com novas exigências quando estávamos perto de um acordo”, afirmou Roberto Moreno, diretor-executivo e braço direito de Sonda na DIS, em entrevista recente.

No entanto, para concretizar sua estratégia, Sonda cedeu à maior parte das exigências santistas. Para viabilizar a venda de Ganso, a DIS investiu mais R$ 7,5 milhões no atleta, aumentando sua participação de 55% para 68%. Os 32% restantes ficaram com o São Paulo. “Foi uma saída para que a DIS pudesse manter o jogador em alta”, afirma José Carlos Brunoro, dono da Brunoro Sports. “Depois do desgaste com o Santos, continuar no time depreciaria seu passe.” Para Brunoro, no São Paulo, o jogador ficará em evidência, o que facilitará uma posterior negociação com um clube estrangeiro. O valor estipulado no contrato com o São Paulo, caso um clube do Exterior se interesse pelos direitos econômicos do jogador, supera os R$ 150 milhões.


Imagem: FOTOMONTAGEM
Crédito: Rafael Freire - Revista Istoé Dinheiro - Edição Nº 782 - 03/10/2012