quinta-feira, 7 de março de 2013

BATE BOLA - Revista Placar entrevista Dorival Júnior


Foto: Alexandre Loureiro

RP: Se 2012 foi um ano para esquecer, 2013 já começou com uma classificação antecipada para a semifinal da Taça Guanabara. O que mudou?
DJ: É uma sequência de trabalho. O Joel [Santana] começou a remontar a equipe e nós pegamos esse trabalho em andamento. Quando cheguei, percebi que havia muitos jogadores com características semelhantes brigando por posições. Até conseguir montar um time que mudasse esse perfil levou um tempo. Na entrada de 2013 tivemos a vinda de jogadores importantes, já com esse novo perfil. Conseguimos dar mais velocidade à equipe. O aproveitamento da base deixada do ano anterior foi um fato importante. Não quer dizer que estamos com a equipe definida. Muito pelo contrário, sabemos que ainda passaremos por um ponto de oscilação até que alcancemos uma maturidade na nossa equipe. Por isso é que eu falo ao torcedor que não se iluda: este é um trabalho lento, moroso.

RP: O que achou da inversão do calendário, em que clubes que não estão na Libertadores têm poucos torneios no primeiro semestre e muitos no segundo?
DJ: Enquanto não adaptarmos nosso calendário ao europeu, teremos dificuldades. Este é o momento de pararmos para conversar sobre o futebol com a participação de treinadores e diretores. As coisas não devem ser decididas aleatoriamente. Está na hora de uma integração mais clara e direta de todos. Temos que nos unir para recuperar a posição de melhores do mundo. O futebol brasileiro está caminhando para uma situação muito complicada.

RP: Você não vê mais o Brasil entre os melhores do mundo?
DJ: É só nós olharmos o ranking da Fifa, que não é tão confiável, mas espelha o que nós vemos no nosso futebol, o que estamos vivendo no momento. O aparecimento de grandes jogadores era comum, agora estamos tendo grande dificuldade.

RP: Por quê?
DJ: O problema é que nós nunca fomos grandes formadores. Usamos a base para ganhar campeonatos. O vôlei nos deu um exemplo muito claro nesse sentido, quando começou a atentar para fundamento, nos últimos 15 anos, e virou uma equipe quase imbatível. O vôlei nos mostrou que o caminho é este: trabalhar a base. No futebol não, tem-se a ideia de que os jogadores brotam. Hoje a Europa é que faz o que o Brasil fazia, procura jogar com bola dominada, trocas de passes constantes. Aqui, os jogadores erram muito mais passes do que acertam. Isso é deficiência de formação, lá de trás.

RP: O que fazer para mudar essa situação?
DJ: Primeiro, nos abrirmos um pouco mais, nos aproximarmos também. A imprensa brasileira infelizmente nos últimos anos criou a cultura da crítica, nada presta, nada serve. Não se dá conta de que devia ter uma participação direta nesse resgate. Mudar o perfil e a postura, conviver mais diariamente com as diretorias, atletas e comissão. E os treinadores contribuíram sobremaneira para isso, porque hoje os treinadores fazem um trabalho de aluguel. Mas as contestações são acima do normal.

RP: No Flamengo, você tem uma geração que vem se impondo. Como lidar com projetos de estrelas como Rafinha?
DJ: Nosso trabalho sempre foi pautado em buscar novos valores dentro do clube, o que eu faço desde o figueirense. Tem que ter muito cuidado.

RP: Por que você decidiu que deveria ficar na Gávea?
DJ: Porque eu sinto que alguma coisa eu posso deixar dentro do flamengo. Eu vim porque tinha uma ambição gostosa de poder chegar a um clube como o Flamengo. E eu me preparei. Não é num momento desses que eu vou me voltar para qualquer situaçãozinha que aconteça, não vou deixar que no primeiro obstáculo um sonho que eu tinha se transforme em apenas uma passagem.

Crédito: Flávia Ribeiro - Revista Placar


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Time do Sonda

Quem é Delcir Sonda, o dono da DIS, empresa que investe nos craques Neymar e Ganso e em outros 70 jogadores de futebol.

Imagem: FOTOMONTAGEM
A sede do Sonda Supermercados, na região da avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de um acordo milionário celebrado na manhã da quinta-feira 20. Na mesa de negociações, no entanto, não estava nenhum assunto ligado aos negócios do varejista, uma rede gaúcha de 24 lojas e faturamento na ordem de R$ 2 bilhões. A pauta, na verdade, era a transferência do jogador de futebol paraense Paulo Henrique Lima, mais conhecido como Ganso, do Santos para o São Paulo. À frente do negócio, no valor de R$ 23,8 milhões, considerado a mais cara transação da história, entre clubes brasileiros, estava o dono do grupo, Delcir Sonda.

Desde que criou a DIS, um fundo de investimentos em jogadores de futebol, esse tipo de transação tem ocupado boa parte do dia a dia do empresário. Torcedor fanático do Internacional de Porto Alegre, Sonda resolveu investir no esporte em meados de 2007. “Foi uma forma que ele encontrou de participar do mundo do futebol’’, diz o apresentador e comentarista esportivo Milton Neves, da Rede Bandeirantes e amigo de Sonda. De acordo com Milton Neves, apenas uma paixão é maior do que o esporte em sua na vida: seus nove cachorros da raça maltês. A atuação como investidor esportivo mudou até sua rotina de trabalho no grupo varejista. “Ele contratou um executivo para presidir a empresa para poder se dedicar mais à DIS.”

A DIS possui participação nos direitos de 70 jogadores. Entre eles, Neymar e Ganso, considerados as duas maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos. Polêmico, Sonda já entrou em atrito com vários clubes por causa de seu estilo agressivo de negociação. O caso de Ganso é emblemático. A transferência do jogador do Santos para o São Paulo foi praticamente uma novela, com duração de cerca de um mês. O clube do litoral paulista tentou de todas as formas evitar a negociação, cheia de reviravoltas. “Eles sempre vinham com novas exigências quando estávamos perto de um acordo”, afirmou Roberto Moreno, diretor-executivo e braço direito de Sonda na DIS, em entrevista recente.

No entanto, para concretizar sua estratégia, Sonda cedeu à maior parte das exigências santistas. Para viabilizar a venda de Ganso, a DIS investiu mais R$ 7,5 milhões no atleta, aumentando sua participação de 55% para 68%. Os 32% restantes ficaram com o São Paulo. “Foi uma saída para que a DIS pudesse manter o jogador em alta”, afirma José Carlos Brunoro, dono da Brunoro Sports. “Depois do desgaste com o Santos, continuar no time depreciaria seu passe.” Para Brunoro, no São Paulo, o jogador ficará em evidência, o que facilitará uma posterior negociação com um clube estrangeiro. O valor estipulado no contrato com o São Paulo, caso um clube do Exterior se interesse pelos direitos econômicos do jogador, supera os R$ 150 milhões.


Imagem: FOTOMONTAGEM
Crédito: Rafael Freire - Revista Istoé Dinheiro - Edição Nº 782 - 03/10/2012